No mundo onde agora estou, já ninguém faz parte.
O passado é agora uma dezena de rostos que recordo quando me bate a saudade.
Se o tempo voltasse atrás….se eu pudesse, ao menos, por um momento, voltar a tocar a tua face , sentindo cair uma lágrima do meu rosto, sabendo que a enxugas com o teu coração…
Se eu pudesse voltar a ver-te. Se eu pudesse….
Passo os dias no desespero de coisa nenhuma a tentar lutar por algo que não me faça lembrar de ti. Mantenho a mente ocupada apenas para não me aperceber que estou aqui… quando a realidade me assalta então sinto dor: dor de ser mais um no mundo que se tornou cheio de nada.
Não sei se é ferida ou vicio. Não sei se é sofrimento ou cisma. Apenas sei que me dói não te ver e não te poder procurar nos cantos da minha alma que outrora seguravas com o doce beijo do teu olhar.
Não te disse que te amava porque pensava ser coisa de gente fraca. Hoje vejo que apenas os fortes sabem dizer de coração o amor.
Como toda a história tem um fim, a nossa acabou não das melhores maneiras mas chegou ao fim…
Não queria que fosse assim mas ao menos foste verdadeiro comigo apesar de tudo, ficaremos os melhores amigos de sempre, não te esquecerei…
Os momentos que passamos juntos, como tu me disseste, foram muito bons e inesquecíveis. Foste e ainda continuas a ser muito especial para mim, continuo-te a adorar.
Agora é seguir em frente. Que sejas muito feliz assim como eu também vou tentar ser.
ADORO-TE PARA SEMPRE NÃO TE ESQUEÇAS DISSO. ETERNAMENTE AMIGOS.
ARCF
Crime Perfeito
Se voltares tarde,
Eu estarei aqui,
Não sou eu quem decide,
Eu só te quero a ti…
Diz-me o que vês,
Sê-me fiel e diz-me,
É a nossa vez,
Temos de tentar, abraça-me…
Seremos cúmplices de um crime perfeito,
Quero tocar no teu rosto,
Quero saber se me amas,
Diz-me no que pensas…
Encontra-te em mim,
Um adeus não é o fim,
Dá-me o teu coração,
Eu irei tirar-lhe a solidão…
Hoje passei pela praia, a nossa praia.
Estava deserta, mansa, calma, como naquele dia em que, sob a chuva atrevida e a densa névoa de Novembro, decidimos ir, faltando às aulas, correr na areia.
Querias fugir da escola porque tinhas feito um teste que não te correra bem, apesar de teres jurado a pés juntos que tinhas estudado.
Tu, a preguiçosa, a mulher livre, a rapariga contra definições de filosofia e conceitos fixados pela mente humana.
Tu, a pessoa mais irreverente e solta que eu conhecera. Tu, de cabelos molhados, de sorriso aberto em felicidade, de pés descalços sobre a areia pesada, tu, que ainda acreditavas em fábulas, em contos de princesas e dragões que a juventude não arrancara á tua infância; tu, mulher bonita, adolescente rebelde, criança de olhos doces.
Tu, que não me enganavas ao dizer que havias estudado.
Eu sabia que não tinhas. Mas quis ir contigo á praia. Fui teu cúmplice nesta inocente mentira de jovens. Só tu me fazias ter estas atitudes loucas que não faziam o meu género.
Eu, educado sempre nos melhores modos, na responsabilidade pessoal perfeita, educado a estudar para as melhores notas, sem uma única falta em tantos anos de escola, fui correr á chuva contigo que tão poucas presenças tinhas nas aulas em tantos anos de escola. Mas quis ir contigo. Quis ir porque precisava de ver esse teu lado inocente e doce que frequentemente escondias das outras pessoas mas que revelavas perante mim. Eu conhecia esse teu lado suave, essa tua doce loucura e meiga rebeldia.
Enquanto corrias, sem medo de sujar as calças de ganga velhas e desbotadas, eu corria atrás de ti com medo de fazer uma mancha, por mais pequena que fosse, nas minhas calças novas, já bastava ter de inventar uma desculpa para justificar aos meus pais a falta na escola. Eu corria de mãos dadas contigo, em círculos, desenhando no vendo formas livres que juntos construíamos. E éramos felizes.
Eu corria era como se o mundo todo corresse comigo para dentro de ti. Nada mais existia: nem a falta injustificada, nem os professores, nem os livros, nem Platão, nem Aristóteles, nem a professora de Filosofia com um aparelho nos dentes e óculos redondos do tamanho do globo terrestre.
Naquele momento tu eras o mundo, tu pertencias ao mar, tu eras parte da chuva que caía, eras a areia que eu pisava e eras a neblina que nos escondia. Fechei os olhos por momentos vivi!
Hoje passei pela praia, a nossa praia. Espreitei a ver se te via. Desci até lá e quase posso jurar que ouvi o mar ainda a murmurar o teu nome.
Talvez tenha tantas saudades tuas como eu tenho. Ajoelhei-me na areia e fiz-te um coração. Foi o único desenho na vida que me saiu bem feito.
Só faltava a cor vermelha marcando a paixão, mas esta paixão tu levaste no dia em que partiste. Atirei um beijo ao vento lembrando-me de ti.
Chorei, ergui-me!
São horas de ir estudar Filosofia e os meus pais já me esperam.
Estou aqui. Mas não estou realmente. Não para quem me vê, que não me vê, não como quem sou. Olham-me de relance e acham ter visto tudo. Não interessa, segue em frente. Interessa, aproveita, usa e abusa. Ou simplesmente faz proveito. Tanta injustiça, tanta maldade.. tanta indiferença. Poucos ou nenhuns dos outros se mostram verdadeiros e os que são, não me aceitam como sou. Não facilmente, há sempre defeitos. Mas não é essa uma nossa condição, a de não sermos perfeitos? Devo eu moldar-me aos outros para me sentir bem no meio deles? De que serve mostrar-mos o nosso intimo, o nosso "eu" verdadeiro, senão para nos fragilizarmos perante os outros e sairmos magoados!? Mas de que serve também usar uma máscara atraente, se o proveito que tiramos dela não é verdadeiro?
Não devo importar-me. Devo ser ignorante e feliz. Mas não sou e acho que não consigo. Não assim... só.
Cidade Ao Relento
Passei a noite ao relento,
Olhei o luar de alma,
As flores escondiam o rosto,
Nas ruas reinava a calma…
Vagueei pelas ruas,
Espreitei por entre olhos,
Piedades nuas,
Escapei por entre atalhos…
Encontrei uma casa abandonada,
Tinha uma vista apaixonada,
O mar sereno… calmo,
Lembrei-me de quem amo…
Quem me diz onde estás,
Por onde é que andarás,
Deitei-me sobre o vento,
E no fim apenas um ponto…